O Método Dedut…


O Método Dedutivo

O método dedutivo, como lembra Santos (2008) tem bases nos pensadores racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz, tendo como pressuposto que apenas a razão pode conduzir ao conhecimento verdadeiro. Ele parte de princípios tidos como verdadeiros e inquestionáveis (premissa maior), para assim o pesquisador estabelecer relações com uma proposição particular (premissa menor) e, a partir do raciocínio lógico, chegar à verdade daquilo que propõe (conclusão). Ou, utilizando as palavras de Galliano (1979, p. 39) “a dedução consiste em tirar uma verdade particular de uma verdade geral na qual ela está implícita”.

Galliano (1979) também afirma que esse tipo de raciocínio é muito útil uma vez que parte do conhecido para o desconhecido com pequena margem de erro, desde que se respeitem os critérios de coerência e de não-contradição.

O método dedutivo possui grande aplicação em ciências como a Matemática e a Física, cujos princípios podem ser enunciados como leis. Pode-se citar como exemplo a lei da gravitação universal, a qual estabelece que “matéria atrai matéria na razão proporcional às massas e ao quadrado da distância”, podendo daí serem deduzidas infinitas conclusões, das quais seria muito difícil duvidar. Entretanto, nas ciências sociais, o uso desse método é bem mais restrito, devido à dificuldade para se obter argumentos gerais, cuja veracidade não possa ser colocada em dúvida (TORRES, 2008).

Para Araújo (2000), a dedução é o caminho das conseqüências, pois uma cadeia de raciocínios em conexão descendente, ou seja, do geral para o particular, leva à conclusão. De acordo com esse método, partindo-se de teorias e leis gerais, pode-se chegar à determinação ou previsão de fenômeno ou fatos particulares. Segue um exemplo clássico de raciocínio dedutivo:

Todo homem é mortal: universal, geral;
João é homem; particular;
Logo, João é mortal; conclusão.

De acordo com Teixeira (2005) o método dedutivo leva o pesquisador do conhecido ao desconhecido com pouca margem de erro, entretanto, é de alcance limitado, pois a conclusão não pode exceder as premissas. Este método consiste, a seu ver, na racionalização ou combinação de idéias em sentido interpretativo, isto valendo mais do que a experimentação de caso por caso. O autor também aponta que, metodologicamente falando, é de suma importância entender que a necessidade de explicação não reside nas premissas, mas na relação entre as premissas e a conclusão.

Várias críticas são feitas ao método dedutivo, uma delas é a de que essa forma de raciocínio é essencialmente tautológica, ou seja, permite concluir, de forma diferente, a mesma coisa. No momento em que se aceita a verdade da proposição de que todo homem seja mortal, a afirmação de que João é mortal nada acrescenta ao raciocínio, uma vez que a verdade da conclusão já se encontrava implícita no princípio geral a partir do qual se elabora o raciocínio. Outra objeção ao método dedutivo refere-se ao caráter apriorístico de seu raciocínio, pois, a partir de uma afirmação geral supõe-se um conhecimento prévio. Em relação ao exemplo dado acima, como é que se pode afirmar que todo homem é mortal? Esse conhecimento não pode derivar da observação repetida de casos particulares, pois isso seria indução. A afirmação de que todo homem é mortal foi previamente adotada e não pode ser colocada em dúvida. Por isso, os críticos do método dedutivo argumentam que esse raciocínio assemelha-se ao adotado pelos teólogos, que partem de posições dogmáticas (TORRES, 2008).

Além dessas colocações, Santos (2008) lembra que dependendo verdade das premissas definidas o raciocínio pode induzir ao erro, como no caso a seguir:

 

Todo homem se locomove sobre duas pernas

Henrique é homem

Logo, Henrique se locomove sobre duas pernas.

 

Embora o processo lógico do raciocínio acima esteja correto, a teoria não corresponde a uma realidade, pois Henrique é paraplégico (cadeirante), não representando, portanto, uma verdade.

 

 

 

 

O Método Indutivo

 

No século XVI, Galileu Galilei iniciou o questionamento a despeito do procedimento mais apropriado para se atingir conhecimentos seguros dos fenômenos naturais. Assim, teorizou o método denominado experimental, o qual infere leis gerais a partir de observações de casos particulares. “

Para o filósofo inglês Francis Bacon, o método de Descartes, na realidade, não levava a nenhuma descoberta, apenas esclarecia o que já estava implícito. Na visão Bacon, somente através da observação é que se torna possível conhecer algo novo. O método indutivo é assim fundamentado, onde nele se privilegia a observação como processo para se atingir o conhecimento (ARAÚJO, 2000).

O método indutivo foi proposto pelos empiristas Bacon, Hobbes, Locke e Hume, para os quais o conhecimento é fundamentado exclusivamente na experiência, sem levar em consideração princípios preestabelecidos. A generalização aqui não deve ser buscada aprioristicamente, e sim constatada a partir da observação de casos concretos confirmadores dessa realidade (TORRES, 2008).

Gewandsznajder (1989, p. 41) define a indução como:

 

“[…] o processo pelo qual – a partir de um certo número de observações, recolhidas de um conjunto de objetos, fatos ou acontecimentos – concluímos algo aplicável a um conjunto mais amplo ou a casos dos quais ainda não tivemos experiência”.

 

Para Teixeira (2005), a indução não é um raciocínio único, e sim compreende um conjunto de procedimentos, uns empíricos, outros lógicos e outros intuitivos. Ela realiza-se em três etapas: 1) observação dos fenômenos a fim de se descobrir as causa de sua manifestação; 2) descoberta da relação entre eles: aproximação dos fatos ou fenômenos; 3) generalização da relação entre fenômenos e fatos semelhantes não observados. Exemplo: observa-se que Pedro, José, João, etc. são mortais; verifica-se a relação entre ser homem e ser mortal; generaliza-se dizendo que todos os homens são mortais (RODRIGUES, 2007).

Gewandsznajder (1989, p. 41) defende a generalização como importante instrumento das ciências. “Como podemos descobrir que todos os raios que incidirem em um espelho plano voltam com o mesmo ângulo? [..] Será que teríamos que examinar cada fração de grau para testar a lei da reflexão?”.

Duas das leis criadas a partir desse raciocínio são de que nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem os mesmos efeitos, ou em outras palavras, se em dadas condições, um determinado fenômeno, sempre que pesquisado, se repetiu, em futuras verificações o mesmo sucederá. A outra consiste em afirmar que o que é verdade de muitas partes suficientemente enumeradas de um sujeito, é verdade para todo esse sujeito universal. Logo, quanto mais representativa a amostra, maior a força indutiva do argumento, sendo sua aplicação considerada válida enquanto não se encontrar nenhum caso que não cumpra o modelo proposto. Assim, para descartar uma indução basta que um fato a contradiga (FILHO, 2006; RODRIGUES, 2007).

Com isso, pode-se afirmar que os dois métodos explicitados possuem diferentes finalidades. O dedutivo busca explicar o conteúdo das premissas, enquanto o indutivo procura ampliar os alcances do conhecimento. Os argumentos indutivos aumentam o conteúdo das premissas, com sacrifício da precisão, ao passo que os argumentos dedutivos sacrificam a ampliação do conteúdo para atingir a “certeza”.

A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, isto é, a cadeia de raciocínios estabelece a conexão ascendente, ou seja, do particular para o geral. Neste caso, as constatações particulares é que levam às leis gerais (ARAÚJO, 2000). Exemplo de raciocínio indutivo:

O calor dilata o ferro; particular;
O calor dilata o cobre; particular;
O calor dilata o bronze; particular;
O ferro, o cobre e o bronze são metais
Logo, o calor dilata os metais; universal, geral.

Se por meio da dedução chega-se a conclusões verdadeiras, já que baseadas em premissas igualmente verdadeiras, no método indutivo as conclusões são apenas prováveis (TORRES, 2008).

O raciocínio indutivo teve grande influência no pensamento cientifico. Desde o aparecimento no Novum organum, de Francis Bacon (1561-1626), o método indutivo passou a ser visto como o método por excelência das ciências naturais. No positivismo sua importância foi reforçada e passou a ser proposto também como o método mais apropriado para investigação nas ciências sociais, uma vez que serviria para que os estudiosos da sociedade abandonassem a postura especulativa e utilizassem a observação para atingir o conhecimento científico. A partir da sua influência foram definidas técnicas de coleta de dados e elaborados instrumentos capazes de mensurar os fenômenos sociais (Ibid.).

O primeiro a perceber o caráter incerto de conclusões indutivas foi Aristóteles, mas o primeiro a formulá-lo de forma mais precisa foi o filósofo David Hume (1711-1776). Ele questionou seriamente sua validade deste método, demonstrando que ele não poderia ser justificado racionalmente. Gewandsznajder (1989, p. 44) argumenta:

 

será que poderíamos justificar logicamente a indução? Obviamente, ela não é um argumento dedutivo, como são os argumentos lógicos. A lógica nos mostra que a partir do enunciado ‘todos os cisnes são brancos’ podemos deduzir que alguns cisnes são brancos. Esta dedução é logicamente válida. Mas a indução faz o raciocínio oposto, inferindo do enunciado ‘alguns cisnes são brancos’ o enunciado ‘todos os cisnes são brancos’. Este raciocínio não pode ser justificado pela lógica. Aliás, em termos lógicos, ele não é valido

 

A principal crítica ao método indutivo consiste no salto indutivo que ele propõe, pois a partir de afirmações sobre o passado e o presente não podem ser deduzidas prognoses absolutamente seguras sobre o futuro. 
Imaguire (2000) afirma que a validade universal de uma hipótese científica não pode ser verificada totalmente através de um número finito de observações, medições e experimentos. Gewandsznajder (1989, p. 44), em outras palavras também aponta esta falha, ao comentar que “o nível de generalizações das leis e teorias cientificas não nos permite estabelecer sua verdade por simples observação”.

 

Karl Popper (1902-1944), um filósofo não indutivista, acreditava que a indução simplesmente não existia, se configurava como um mito, uma vez que ela não poderia ser justificada e não desempenharia nenhum papel em relação ao método científico ou ao conhecimento comum (GEWANDSZNAJDER, 1989).

Embora Hume acreditasse que somente a inferência dedutiva é válida, o filósofo concluiu que o método indutivo:

 

[..] fosse utilizado como forma de conhecimento mesmo por pessoas sensatas. Isto aconteceria porque, através da associação de idéias, as repetições geram expectativas, crenças e hábitos importantes para a sobrevivência. Para Hume, estas crenças geradas pelo habito são irracionais, mas isto é apenas um problema filosófico, que não interfere em nossa vida pratica” Gewandsznajder (1989, p. 45).

 

Como Torres (2008) expõe, a objeção colocada por Hume foi, parcialmente, contornada pela teoria da probabilidade, a qual possibilitaria indicar os graus de força de um argumento indutivo. A respeito desta teoria, pode-se dizer que:

 

[…] se os argumentos indutivos não garantem a verdade das conclusões, eles podem ser usados, segundo os indutivistas, para garantir uma probabilidade, às vezes elevada, para suas conclusões. Portanto, da observação de que alguns cisnes são brancos e de que o Sol nasce todo dia, podemos inferir que é provável que todos os cisnes sejam brancos e que o Sol nascerá amanhã” Gewandsznajder (1989, p. 48).

 

Para aprofundar o método indutivo, há a análise do método hipotético – dedutivo, que será visto a seguir.

 

O método hipotético-dedutivo

 

O método hipotético-dedutivo teve suas raízes no pensamento de Réne Descartes (1596-1650), que estabeleceu um método baseado na matemática e na razão. Afirmou que “a idéia que existe em mim” permite deduzir que, mesmo sendo concebida como inata, a idéia permite a elaboração de novas idéias pelo exercício do método.

Vergez & Husisman (1984), justifica que em primeiro lugar, “ela afirma a independência da razão e a rejeição de qualquer autoridade”, em segundo pode-se justificar que o método é racionalista:

[…] os sentidos nos engana, suas indicações são confusas e obscuras, só as idéias da razão são claras e distintas. O ato da razão que percebe diretamente os primeiros princípios é a intuição. A dedução limita-se a veicular, ao longo das belas cadeias da razão, a evidência intuitiva das “naturezas simples”. A dedução nada mais é do que uma intuição continuada.

Inicia-se algumas explanações que argumentam os dados citados acima. O que seria o método hipotético-dedutivo, em primeira ordem tem-se Karl Popper (1975), a partir de uma crítica profunda ao indutismo, o autor sintetiza o referido método no qual o caminho para se chegar ao conhecimento passa pelas seguintes etapas:

– formulação de problemas;

-solução proposta constituindo numa conjectura;

-dedução das conseqüências na forma de proposições passíveis de testes;

-testes de falseamento (tentativa de refutação, entre outros meios, pela observação e experimentação.

 

Para segundo opiniões de Japiassu & Marcondes (1990), “é aquela do qual se constrói uma teoria que formula hipóteses a partir das quais os resultados obtidos podem ser deduzidos com base nas quais se podem fazer previsões que, por sua vez, podem ser confirmadas ou refutadas”

Numa terceira opinião e ultima, de acordo com Kaplan (1972, p.12):

 

[…] o cientista, através de uma combinação de observações cuidadosa, hábeis antecipação e intuição científica, alcança um conjunto de postulados que governam os fenômenos pelos quais está interessado, daí deduz ele as conseqüências por meio de experimentação e, dessa maneira, refuta os postulados, substituindo-os, quando necessários por outros e assim prossegue.

 

Assim, Kaplan organiza etapas que podem ajudar na interpretação do método:

 

Problema→Conjecturas→Dedução, conseqüências e observação→Tentativa de falseamento→Corroboração.

 

Explicando esses indicadores, argumenta que para tentar explica a dificuldade expressa no problema, são formulados conjecturas e hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tentar tonar falsas conseqüências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo procura-se a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao contrário, procuram se evidências empíricas para derruba – las.Quando não se consegue demonstrar qualquer caso conceito capaz de falsear a hipótese, tem-se a sua corroboração, que não excede o nível do provisório. De acordo com Popper, a hipótese mostra-se válida, pois superou todos os testes, mas não definitivamente confirmada, já que a qualquer momento poderá surgir um fato que a invalide.

Concluindo o pensamento dos três autores, o método hipotético-dedutivo passa por fases certas e não discutíveis, com a idéia de um problema, parte para a observação cuidadosa, hábeis antecipação e intuição científica, dedução das conseqüências na forma de proposições passíveis de testes, quando não consegue mostrar o que pode falsear a hipótese, tem-se uma corroboração.

O método se funde na observação e, hipóteses que podem ser confundidos com o indutivo, pois também tem esse rumo de explicação, mas o hipotétivo- dedutivo não se limita a generalização com o empírico das observações segue o caminho das teorias e leis. Como os resultados podem deduzir e fazer previsões, que podem ser confirmadas ou negadas.

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